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A Colisão dos Destinos: o documentário de Bolsonaro que divide opiniões

Estreou em 14 de maio o documentário sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Sessões vazias, ausência da família e omissões históricas marcam o lançamento.

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Daniel Krust
··7 min de leitura
Sala de cinema vazia durante a estreia do documentário político A Colisão dos Destinos em maio de 2026

A Colisão dos Destinos: o documentário de Bolsonaro que divide opiniões antes mesmo de encher as salas

Chegou aos cinemas, mas gerou mais polêmica nos bastidores do que nas cadeiras da plateia. A Colisão dos Destinos estreou na última quinta-feira com sessões semi-vazias em algumas praças, ausência da própria família do retratado e uma lista de omissões que dizem tanto quanto o que foi mostrado.


O que é A Colisão dos Destinos?

A Colisão dos Destinos é um documentário biográfico dirigido por Doriel Francisco, produzido por Mário Frias, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme foi lançado nos cinemas em 14 de maio de 2026, com distribuição realizada pela Dori Filmes.

Com cerca de 70 minutos, o longa acompanha a vida de Bolsonaro da infância até a chegada ao Palácio do Planalto, usando relatos de familiares, amigos próximos e aliados políticos.

O roteiro foi assinado por Doriel Francisco e William Alves, com argumento de Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, que também aparecem entre os entrevistados. Além deles, o senador Flávio Bolsonaro também participa do documentário.

A proposta declarada do diretor é cultural, não política. "Eu não trato o filme como um filme político. Eu trato como um filme cultural", afirmou Francisco em entrevista à revista Piauí. Mas o contexto em que o filme chegou às telas conta uma história diferente.


Como foi a estreia: entre sessões cheias na pré e vazias na estreia

A pré-estreia gerou entusiasmo entre apoiadores. A pré-estreia de A Colisão dos Destinos ocorreu na terça-feira (12/5), em Pernambuco, e reuniu dezenas de apoiadores de Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, o vereador Gilson Machado Filho compartilhou registros do evento e celebrou a recepção do público.

A estreia oficial, porém, não repetiu o clima. Apenas um nome do PL compareceu, na quinta-feira (14/5), à exibição em Ceilândia (DF), cidade natal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo apurou a coluna do Metrópoles, apenas a deputada Bia Kicis (PL-DF) foi a única a comparecer à sessão do documentário. Outros parlamentares eram esperados no encontro. A presença de Flávio também era aguardada, mas passou a ser tratada como incerta após a crise gerada pela divulgação de áudios envolvendo o senador e o financiamento do outro filme sobre o ex-presidente, Dark Horse.

Na estreia nacional, o documentário chegou a 17 estados brasileiros, incluindo a Bahia. Com exibição garantida em mais de 300 salas de cinema, a produção estabeleceu a meta ambiciosa de atingir mil salas em todo o país.


O que o documentário mostra — e o que omite

O que está no filme

O roteiro apresenta o ex-presidente como uma pessoa simples, humilde, estudiosa, crente em Deus, antirracista, firme em suas posições, além de defensora da família e da liberdade de expressão.

Com cerca de 70 minutos, A Colisão dos Destinos percorre desde a infância de Bolsonaro, com relatos de irmãos e imagens de álbuns de família, até episódios marcantes da vida política do ex-presidente. O atentado a faca sofrido por ele em Juiz de Fora, durante a campanha presidencial de 2018, ocupa parte significativa da reta final do documentário, incluindo cenas inéditas do período de internação hospitalar.

A produção destaca episódios considerados decisivos, como a administração de um antibiótico por Gilson Machado na véspera do atentado.

O que ficou de fora

Aqui mora a principal crítica ao documentário: o que ele escolhe não mostrar.

O filme termina com imagens de motociatas e manifestações políticas lideradas por Bolsonaro antes das eleições de 2022, em que não saiu vitorioso. A derrota eleitoral, portanto, não recebe tratamento narrativo — o documentário simplesmente para antes de chegar lá.

Também não há menção aos eventos de 8 de janeiro de 2023, às investigações da Polícia Federal, nem ao processo judicial pelo qual Bolsonaro responde atualmente.

Outro ponto observado por convidados foi a ausência de menções, ao longo do filme, a Michelle Bolsonaro, além de outros integrantes da família, como Renan Bolsonaro e Laura Bolsonaro. Isso chamou atenção especialmente porque a ex-primeira-dama é um dos nomes centrais do campo político no qual o ex-presidente está inserido.

A escolha de depoimentos de familiares, amigos e aliados levanta uma questão editorial natural: o documentário deve ser recebido como uma narrativa de proximidade, não como retrato definitivo de um personagem histórico ainda cercado por disputas judiciais, políticas e sociais.


A ausência da família na sessão

Além das omissões na tela, a ausência física da família também foi notada. A estreia do documentário reuniu parlamentares, assessores e convidados ligados à direita política. A sessão ocorreu com casa cheia na pré-estreia em Brasília e presença de nomes do Partido Liberal e aliados do ex-presidente.

Apesar disso, familiares diretos de Bolsonaro não apareceram na sessão. Entre os presentes estava Carlos Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro e pré-candidato a deputado federal pelo PL no Distrito Federal.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias aparecem nos créditos como autores do argumento do documentário, mas não participaram da exibição. Eduardo permanece nos Estados Unidos, enquanto Frias estava internado em São Paulo na data.

Antes do início da sessão, um mestre de cerimônias convidou o público para rezar um Pai-Nosso pelo ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar.


Bastidores financeiros e polêmica

A produção chegou às telas envolta em questionamentos sobre seu financiamento. Em 2024, durante a finalização do filme, o deputado federal Túlio Gadêlha denunciou à Procuradoria-Geral da República supostos repasses de verba parlamentar do gabinete de Mario Frias para a Dori Filmes, produtora do documentário. De acordo com a revista Piauí, notas fiscais apontam seis transferências que somam cerca de R$ 22 mil. A investigação segue em apuração pela Polícia Federal.

Vale lembrar que A Colisão dos Destinos não é o mesmo projeto que Dark Horse, o filme de ficção biográfica com Jim Caviezel no papel de Bolsonaro. Apesar da temática semelhante e de compartilhar nomes na equipe, como Mario Frias, a produção não é a mesma envolvida nas denúncias sobre financiamento ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-CEO e dono do Banco Master, referente ao longa Dark Horse.


Dark Horse: o próximo capítulo da saga Bolsonaro no cinema

Para quem quer mais, o ano reserva ainda outro filme sobre o ex-presidente. Dark Horse é um futuro filme de drama biográfico norte-americano dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito por Mário Frias, com previsão de estreia para 11 de setembro de 2026.

O longa retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro desde a sua campanha presidencial de 2018, centrando-se no atentado a faca sofrido por ele. Será estrelado por Jim Caviezel e contará também com Marcus Ornellas, Sérgio Barreto e Eddy Finlay no elenco.

O cronograma é visto como estratégico, posicionando o filme como uma peça de forte impacto emocional e político a menos de um mês das eleições presidenciais de 2026.


Vale assistir? Uma análise editorial

Documentários sobre figuras políticas vivas e polarizadoras nunca são neutros — e A Colisão dos Destinos não tenta ser. A produção se posiciona claramente como uma narrativa de exaltação, construída com o apoio e a participação direta de aliados do retratado.

A sinopse afirma que a obra tenta apresentar um olhar de "humanização e contextualização". Essa escolha indica um recorte mais biográfico e favorável à leitura pessoal da trajetória, em vez de uma investigação crítica ou uma revisão ampla dos conflitos políticos do período.

Para o espectador que busca cinema documental com rigor jornalístico, o filme provavelmente vai frustrar. Para quem quer entender como o bolsonarismo constrói sua própria memória audiovisual — e quais episódios prefere esquecer —, a obra é um objeto de estudo revelador.

O ponto central é que A Colisão dos Destinos estreia em um Brasil ainda dividido por 2018, pela pandemia, pelas eleições seguintes, pelos atos de 8 de janeiro e pelas disputas judiciais envolvendo Bolsonaro e aliados.


Onde assistir A Colisão dos Destinos

O documentário está em cartaz nos cinemas brasileiros desde 14 de maio de 2026. A estreia nacional ocorreu em 17 estados brasileiros. Não há confirmação de lançamento em plataformas de streaming até o momento. Fique de olho nos canais oficiais da Dori Filmes para novidades sobre janelas digitais.


Perguntas frequentes (FAQ)

A Colisão dos Destinos vale a pena assistir?

Depende do que você busca. Se quiser um documentário crítico sobre o governo Bolsonaro, provavelmente vai se frustrar: o filme é assumidamente favorável ao ex-presidente e foi produzido com participação de seus aliados. Se quiser entender como o bolsonarismo constrói sua própria narrativa audiovisual, é uma peça interessante para análise.

O documentário mostra a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022?

Não de forma direta. O filme termina com imagens de motociatas e manifestações antes das eleições de 2022, sem abordar a derrota eleitoral, os eventos de 8 de janeiro de 2023 ou o processo judicial que o ex-presidente enfrenta atualmente.

Onde posso assistir A Colisão dos Destinos?

O documentário está em cartaz nos cinemas desde 14 de maio de 2026, distribuído pela Dori Filmes em mais de 300 salas em 17 estados. Não há data confirmada para lançamento em streaming.

Tags:#Documentário#Cinema Brasileiro#Lançamentos 2026#Política#A Colisão dos Destinos#Dark Horse

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